terça-feira, 10 de julho de 2012

UM OLHAR SOBRE O AUTISMO

     
Assim como  existem vários livros, artigos, sites e blogs sobre a Síndrome de Down, o autismo é amplamente comentado.
Indo ao site www.mundoazul.org.br teremos uma visão geral do que é autismo - primeiros sintomas que são um sinal de alerta para os pais, a descoberta e o diagnóstico do autismo,  cuidados e tratamentos e histórias de superação. Este site foi criado por pais de crianças autistas no Rio de Janeiro e tenta, inclusive com palestras e passeatas divulgar mais sobre a Síndrome.
A palavra autismo assusta. Por não querer enxergar, muitos pais deixam seus filhos perderem um tempo precioso de terapia. No imaginário popular, autistas vivem isolados no seu mundo, com o olhar perdido, se balançando, emitindo sons que ninguém entende e que não gostam de serem tocados, imunes a qualquer expressão de afeto. É uma avaliação baseada em casos mais severos e comportamentos aparentemente sem solução. Muitas vezes, o diagnóstico tardio atrasam o início do tratamento adequado para estas crianças. 
Por que ainda é difícil o reconhecimento da criança com autismo? Ela não é uma doença. A psiquiatria moderna define como um distúrbio do desenvolvimento. Algo de anormal acontece no processo de desenvolvimento do cérebro. Quando, onde e porquê, ninguém sabe exatamente. Existem várias hipóteses. A mais realista é que seria um distúrbio multifatorial - suas causas seriam múltiplas e não necessariamente as mesmas para todas as pessoas com o diagnóstico de autismo. 
Existem vários graus de autismo e eles são diferentes entre si. Um autista pode ser superdotado ou ter deficiência mental. Ser um exímio pianista ou não ter controle do movimento das mãos. Pode ter também outra síndrome associada ou sofrer convulsões. Ter domínio total das regras gramaticais ou ser incapaz de pronunciar qualquer palavra. Por isto hoje falamos em espectro autista. O espectro abrange vários distúrbios que vão do autismo clássico, com retardo mental, à Síndrome de Asperger(assunto p/outro artigo), uma forma branda muitas vezes associada a um QI muito acima da média. Os autistas mais comprometidos são chamados de "baixo funcionamento" e os mais capazes de levar uma vida normal de "alto funcionamento". Mesmo os autistas de baixo funcionamento são capazes de aprender muitas coisas. A grande maioria conseguem aprender a comer sozinhos, usar o banheiro, guardar as próprias roupas, organizar seu quarto, ajudar em tarefas simples da casa. Tudo depende do estímulo dado a esta criança desde o início. 
A comunicação também vai variar de acordo com o grau de autismo que a criança apresenta. A maioria destas crianças desenvolvem um foco de interesse sobre determinado assunto e sabem tudo sobre ele mas são incapazes de andar sozinhas na rua  ou simplesmente cumprimentar as pessoas que passam por ela. 
É importante salientar que o diagnóstico final de autismo só pode ser dado por um médico.
A terapia ajuda muito, dando estímulos que reforçam as atitudes corretas, levando a criança a compreender melhor o mundo que a cerca. O principal componente das terapias voltadas para o autismo é ensinar a ela a se comportar adequadamente. As mais conhecidas hoje são:
ABA (Análise Aplicada do Comportamento) - ensino intensivo das habilidades necessárias para que o indivíduo possa adquirir independência  e  melhor qualidade de vida possível. Dentre as habilidades ensinadas incluem-se comportamentos sociais, acadêmicos, atividades de vida diária e redução de comportamentos esteriotipados, agressivos ou que interferem no desenvolvimento e integração na sociedade.
TEACCH (Treatment and Education of Autistic anda related Communication-handicapped Children) -  aumenta o funcionamento independente e valoriza o aprendizado estruturado. É um programa especial de educação voltado para as necessidades individuais de aprendizado da criança baseado no desenvolvimento do cotidiano. Neste método usamos o PECS (Picture Exchange Communication System), que são cartões contendo fotos ou logotipos do que é interessante para a criança. Com estes cartões, a criança aprende a comunicar e mostrar o que quer.
Seja qual for o método usado para melhorar a qualidade de vida da criança o importante é não deixar de estimulá-las o tempo todo e tirá-las do "seu mundo".
 "Autismo é uma maneira diferente de ser. Mas sei que cheguei aonde cheguei porque tive quem olhasse por mim" (J.S.O. 25 anos, formado no ensino médio)

FONTES: Autismo,e Educação: Reflexões e Proposta de Intervenção (BAPTISTA, Carlos Roberto); Revista Época, 473, de junho de 2007 e sites (universoautista.com.br  e mundoazul.org.br); artigo de Caio Miguel, PhD, Psicólogo.





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