A visão, opinião, experiência e comentários sobre o mundo das pessoas especiais. Eni Aquino, psicóloga com mais de 15 anos de experiência especializada em crianças e adultos com necessidades especiais. vamos compartilhar idéias! "Juntando forças podemos vencer todos os desafios". Atendimento para crianças especiais em Belo Horizonte - MG. e-mail para contato: eni-aquino@hotmail.com
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
BULLYING - UM TEMA ATUAL
O bullying é um fenômeno mundial tão antigo quanto a escola. É um termo do inglês sem tradução, compreendida como um conjunto de comportamentos de agressão física, verbal ou moral, intencionais e repetitivos que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra outro(a), causando dor, angústia e sofrimento. Pode acontecer em qualquer contexto no qual seres humanos interajam, não só nas escolas. Ocorre também nas famílias, entre vizinhos e em locais de trabalho.
Na década de 70, na Suécia, surgiu um maior interesse da sociedade sobre este problema e logo estendeu-se para outros países. Na Noruega, em 1982 ocorreu o suicídio de três crianças entre 10 e 14 anos, motivadas pela situação de maus tratos a que eram submetidos pelos seus companheiros de escola. Devido à grande repercussão nos meios de comunicação o governo norueguês fez uma campanha nacional contra o bullying no ano seguinte. Nos Estados Unidos e Europa este problema é discutido amplamente na tentativa de minimizar os danos causados às crianças e adolescentes. No Brasil, um levantamento feito pela ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência) entre 2000 e 2004, envolvendo quase seis mil estudantes de escolas do município constatou que 40,5% dos alunos admitiram estar envolvidos em bullying, revelando índices superiores aos países europeus.
Atualmente a facilidade com que jovens se comunicam pela rede mundial de computadores tem provocado um novo fenômeno: o cyberbullying. Através de salas de bate-papo virtual, emails ou redes sociais, são expostos textos, imagens e até vídeos das vítimas, onde o objetivo é agredir, difamar, ofender e humilhar suas vítimas.
Pessoas que praticam o bullying acreditam na impunidade de seus atos e muitas vezes revelam pertencer a famílias desestruturadas ou tem algum transtorno comportamental como o desafiador opositor, de conduta ou hiperatividade. Quem executa tais atos deseja controlar e dominar o outro.
Os alvos normalmente são pessoas tímidas, quietas, inseguras, pouco habilidosas socialmente, possuem poucos amigos e são facilmente intimidadas, apresentando dificuldades de reagir e se defender dos atos de agressividade. Em alguns casos apresentam algum transtorno comportamental como fobia social, depressão ou transtorno invasivo do desenvolvimento. São estas pessoas que os praticantes do bullying identificam para agirem.
Grande parte das vítimas não buscam ajuda por medo de seus agressores e as testemunhas desses atos tem medo de se tornarem as próximas vitimas. O ambiente se torna hostil e inseguro para todos.
As vítimas experimenta grande sofrimento, o que pode interferir em seu desenvolvimento social, emocional e em sua vida escolar ou profissional.
As consequências são, principalmente na escola: baixa autoestima, queda do rendimento escolar, resistência ou recusa em ir para a escola, frequente troca de colégio ou abandono dos estudos. Em casos mais graves pode levar a quadros depressivos e até suicídio.
No trabalho é um problema sério que algumas pessoas pensam ser um problema ocasional entre indivíduos. Mas o bullying é mais do que um ataque de raiva ou briga. É uma intimidação regular e persistente que enfraquece a integridade e confiança da vítima, que muitas vezes acha que é algo passageiro.
Entre vizinhos toma a forma de intimidação por comportamento inconveniente, como por exemplo barulho excessivo para perturbar o sono ou fazer queixas por qualquer problema que surge.
O QUE FAZER?
Perceber e monitorar as habilidades ou possíveis dificuldades que possam ter os jovens em seu convívio social com os colegas, passa a ser atitude obrigatória daqueles que assumiram a responsabilidade pela educação. A identificação precoce do bullying e o trabalho de informação e conscientização entre professores, pais, alunos no caso da escola e entre colegas de trabalho e direção no caso de local de trabalho são fundamentais para lidar com o problema.
As ações anti-bullying devem considerar ao elaborar estratégias de enfrentamento da situação, as características sociais, econômicas e culturais da população. O envolvimento de todos é fundamental para implementação de projetos e redução do bullying. As ações devem priorizar a conscientização geral, apoio às vítimas, conscientização dos agressores sobre seus atos e a garantia de um ambiente saudável, seguro e acolhedor para todos. É importante reforçar os conceitos éticos, de respeito e estimular uma cultura pacifista. O encorajamento de todos para participarem da supervisão e intervenção desses atos, pode ser uma boa estratégia de enfrentamento da situação.
Na escola, os professores devem lidar e resolver efetivamente cada caso, buscando cooperação de outras instituições, como centros de saúde e conselhos tutelares. É importante também desenvolver junto aos praticantes de bullying incentivo no sentido de adquirir comportamentos mais amigáveis e sadios, evitando o uso de ações puramente punitivas, como castigos, suspensões ou exclusão do ambiente escolar, que acabam por marginalizá-los. Resumindo, o importante é identificar, traçar metas e procedimentos e ajudar tanto os praticantes como as vítimas de byllying.
Fontes de pesquisa: Aramis, A.Lopes Neto, Bullying - Comportamento Agressivo entre Estudantes; Taylor, Maurren, Bullying e o Desrespeito; Teixeira, Gustavo, Manual dos Transtornos Escolares.
Fontes de pesquisa: Aramis, A.Lopes Neto, Bullying - Comportamento Agressivo entre Estudantes; Taylor, Maurren, Bullying e o Desrespeito; Teixeira, Gustavo, Manual dos Transtornos Escolares.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
PARA REFLEXÃO: A ESCOLA DOS BICHOS
O pato se deu muito bem em natação, até melhor que o professor. Estava indo muito mal na aula de voo e na corrida. Por causa de suas deficiências, ele precisou deixar um pouco de lado a natação e ter aulas extras. Isto fez com que seus pés de pato ficassem muito doloridos e o pato já não era mais tão bom nadador como antes. Estava quase passando de ano e este aspecto de sua formação não estava preocupando a ninguém, exceto, é claro, ao pato.
O coelho era, de longe, o melhor corredor e começou a ter tremores nas pernas de tanto tentar aprender natação.
O esquilo era excelente em subida de árvore, porém enfrentava problemas constantes na aula de voo, porque o professor insistia que ele precisava decolar do solo e não de cima de um galho alto. Com tanto esforço, ele tinha câimbras constantes e foi apenas "regular" em alpinismo e fraco em corrida.
A água insistia em causar problemas, por mais que a punissem por desrespeito à autoridade. Nas provas de subida de árvore era invencível, mas insistia sempre em chegar lá da sua maneira...voando!!! Na natação deixou muito a desejar.
Cada criatura tem capacidades e habilidades próprias, coisas que faz naturalmente bem. Mas quando alguém o força a ocupar uma posição que não lhe serve, o sentimento de frustração e até culpa, provoca sentimentos de inferioridade e derrota total.
Um esquilo é um esquilo, nada mais do que um esquilo. Se insistirmos em afastá-lo daquilo que ela faz bem, ou seja, subir em árvores, para que ele seja um bom nadador ou um bom corredor, o esquilo vai se sentir um incapaz.
A água faz uma bela figura no céu, mas não consegue fazer uma corrida a pé. No chão, o coelho ganha sempre.
Será que devemos mudar o que cada um faz ou ajudar a adquirir novos talentos sem prejudicar os que já existem!"(Autor desconhecido)
O que dissemos dos animais vale para qualquer pessoa. Nós somos iguais. Temos as nossas diferenças, nossas capacidades especiais! Podemos tentar adquirir outras habilidades, mas sem perder ou prejudicar aquelas que já temos, pois estas nos ajudam no nosso dia a dia.
Descubra e estimule as habilidades específicas de cada criança, adolescente ou adulto especial. Estimulando estas habilidades podemos descobrir novas habilidades.
Vamos dar oportunidades deles crescerem e mostrarem do que são capazes.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
NOVO LUGAR DE ATENDIMENTO
O acompanhamento e orientação de um profissional especializado é de grande importância para nossas crianças e adultos especiais.Envolve as áreas cognitiva, comportamental, sensorial, atenção e concentração, possibilitando um maior aproveitamento nas atividades de vida diária e educacional, melhorando a socialização, o convívio familiar e escolar e principalmente a qualidade de vida de todos os envolvidos.
Consultório na Rua Urucuia, 62, Bairro Floresta, Belo Horizonte-MG.
O contato poderá ser feito através dos telefones: (31) 3047-8343 ou (31) 9130-2314. Atendimento também home care e avaliação psicopedagógica com orientação aos pais, responsáveis ou escolas em outras cidades.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
A INFÂNCIA E O PAPEL DA ESCOLA
A infância é um período fundamental na vida do ser humano. Neste período tem-se as formas mais ricas do pensamento. A criança sente e pensa o mundo de um jeito particular, único. O pensamento infantil é sincrético - olha as coisas por inteiro, prestando atenção nos detalhes e no todo. Segundo o filósofo Benjamin, a criança conhece sentindo e sente conhecendo, sem se restringir às relações causais que dão conta de explicar o mundo e tudo que existe e o que acontece com os adultos.
É por isso que o grande desafio da Educação Infantil e de seus profissionais é observar, valorizar os pensamentos infantis e suas hipóteses de compreensão, conhecer e reconhecer o jeito que cada criança tem e sua maneira de ser e estar no mundo.
A escola vai ajudar a determinar o seu lugar no contexto social, sua organização, o uso do seu espaço sem prejudicar o próximo, a distribuição de tempo, seu aprendizado dentro do planejamento pedagógico e cultural ajudando no despertar para os assuntos que considerar mais interessante. Da concepção que cada membro da equipe tem da criança, nascem as atitudes de uma prática concreta no dia-a-dia da instituição. Ao elaborar seu planejamento, o professor deve trabalhar com temas e elementos da cultura, procurando ampliar o universo de interesse e conhecimento da criança, pois uma das principais funções da escola consiste em proporcionar um meio estimulante para a aprendizagem. O professor é um mediador do conhecimento e o processo de ensino deve fundamentar-se em um meio sobre o qual é possível agir, decidir, realizar, avaliar e discutir com os outros.
Trabalhando com crianças especiais o nosso olhar tem que ser ampliado. Temos o desafio de estimular o aluno a aprender, assimilar e aplicar o que foi ensinado, explorar maneiras de adquirir o conhecimento e ajudá-lo na socialização e participação nas diversas situações que surgem no ambiente escolar. Temos principalmente de procurar alternativas e material diferenciado para repassar o conhecimento para estas crianças que muitas vezes não vão entender/aprender igual aos outros alunos.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
PSICOLOGIA INFANTIL
É uma prática da psicologia que tem como objetivo favorecer o bem estar e a qualidade de vida da criança e de sua família. Essa prática também é útil na prevenção de problemas familiares infantis e na redução de dificuldades já instaladas na família e na criança.
Durante o atendimento, o(a) terapeuta infantil usa estratégias lúdicas como histórias, desenhos, colagens, pinturas, jogos de acordo com a idade da criança, para criar um ambiente no qual ela se sinta à vontade. Por meio dessas atividades, temos a oportunidade de conhecer melhor a criança e promover meios adequados para ajudá-la.
Entre várias questões podemos identificar e avaliar as dificuldades e potencialidades da criança; promover a mudança de comportamentos inadequados; adaptar meios de comunicação e formas de interagir com o meio em que vive; orientar os pais sobre como lidar com as dificuldades de seus filhos; melhorar a atenção, concentração e limites; melhora da coordenação motora e mudança de comportamentos estereotipados.
Experiências que resultam em satisfação, conforto, alegria, satisfação de necessidades auxiliam na composição de uma auto-estima positiva (esclarecendo o que entendemos aqui por auto-estima, vamos adotar o conceito do que seja - a capacidade de gostarmos de nós mesmos, de nos aprovarmos, a certeza de de que somos capazes de realizar coisas, de que somos competentes em determinadas habilidades). Sentir-se amado, entendido e acolhido trazem, sem dúvida, uma sensação de segurança em qualquer momento da vida, que resulta em uma maior auto-estima.
A auto-estima é construída passo a passo rumo à evolução do desenvolvimento. Aprendemos a falar, a andar, a brincar, a nos relacionar de uma certa forma, a partir da maneira como somos apoiados, estimulados, motivados pelo ambiente em que vivemos, e aquilo que este nos proporciona.
O comportamento dos adultos, da família, dos cuidadores é muito importante na construção desta que será a base do amor próprio. A criança precisa ser estimulada a fazer aquilo que já tem condições para fazer, a princípio físicas. Precisa ter espaço para isto, ser “consolada” quando não consegue seu intento e se sente insegura, estimulada a tentar novamente outras possibilidades para conquistar seu objetivo.
Pais muito inseguros quanto aos seus filhos, ou superprotetores podem educar suas crianças tornando-as também inseguras, fazendo com que se sintam incapazes, o que traz muita ansiedade e pode atrapalhar o desenvolvimento global.
Vejam então, que superproteção acaba por gerar ansiedade e insegurança. Ao contrário do que se poderia pensar - crianças muito protegidas sentiriam-se muito amadas e por conseguinte muito seguras! Não - crianças superprotegidas tem uma probabilidade muito maior de serem inseguras, ansiosas e com baixa-estima, visto que não sentem-se capazes de realizar por si mesmas, seja o que for, um trabalho sozinhas, a arrumação de um quarto e seus brinquedos, o atravessar de uma rua (quando com habilidade suficiente para isto), o preparo ou busca de um alimento no início de sua vida.
As crianças quando estão prontas, do ponto de vista físicos e cognitivos, dão sinais da necessidade de independência neste quesito de alguma forma. É preciso que os pais fiquem atentos, abram espaço para que os filhos possam experimentar o mundo, com a supervisão não mais do que necessária, e assim desenvolverem-se da forma mais saudável possível.
Estar presente, auxiliar nesse desenvolvimento, facilitar - e não fazer por eles, o que já podem fazer sozinhos. Elogiar quando alcançarem uma nova conquista, estimular a vencer obstáculos, ouvir seu filho naquilo que muitas vezes você não tem o menor interesse, mas que para ele é importante, são ações que vão de encontro à saúde e ao bem estar na vida presente e futura, construindo uma imagem positiva de si mesmo, auto-estima e sentindo-se uma pessoa capaz de ser amada, amar-se e amar aos outros.
Portanto, o melhor a fazer é estar sempre atento, elogiar quando preciso, dar limites quando necessário e acima de tudo amar incondicionalmente nossas crianças e ter em mente que a psicoterapia infantil pode ajudar quando vocês pais, acharem que está difícil caminharem sozinhos.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
O TRANSTORNO DE PROCESSAMENTO SENSORIAL
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Atualmente
conhecido como dificuldade de processamento e integração da informação sensorial ou disfunção de integração sensorial, pode
ocorrer em qualquer período do desenvolvimento e não está ligada diretamente a
uma patologia ou deficiência, mas observa-se que alguns diagnósticos apresentam
maior propensão a apresentar problemas sensoriais, como por exemplo o autismo e dificuldades de aprendizagem. Esse
transtorno é definido como a incapacidade de modular, discriminar, coordenar ou
organizar as sensações de forma adequada, ou seja, é o processamento inadequado
de informações sensoriais (oriundas de todos os sistemas sensoriais - tato,
olfato, paladar, audição, visão, vestibular e propriocepção, e do próprio
ambiente), que pode ocasionar principalmente dificuldade no aprendizado e no
comportamento.
Quais são os sinais que as crianças com transtorno de processamento sensorial apresentam?
Quais são os sinais que as crianças com transtorno de processamento sensorial apresentam?
A criança pode apresentar alguns sinais discretos
de transtorno de processamento sensorial que são indícios de uma dificuldade
específica que afetam as habilidades da criança em fazer o que quer ou
necessita realizar. Se a criança apresentar vários comportamentos como os
descritos abaixo, pode ser encaminhada para uma avaliação, onde o terapeuta
traça o perfil sensorial da criança e elabora um programa de tratamento
específico e individualizado.
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segunda-feira, 13 de maio de 2013
O MENINO QUE NÃO PENSAVA
"Certa vez, um casal me procurou, preocupado com seu filho de 6 anos. A mãe, com a expressão sofrida falou: "Meu filho não produz pensamentos. Será que ele nunca vai pensar?"
A aparência do menino era normal. De fato, ele não apresentou nenhum problema em seu desenvolvimento até 1 ano e meio de idade. Foi então que os os pais perceberam que o desempenho intelectual do filho começava a regredir. Angustiados, procuraram ajuda de diversos profissionais.
Os anos se passaram e o menino não progredia. Ao contrário, parecia ter paralisado sua inteligência no tempo. Apesar do desenvolvimento físico normal, ele não conseguia expressar qualquer tipo de pensamento. Ele não conseguia agir, brincar, falar, comunicar, como qualquer outra criança da sua idade. Não expressava nem mesmo as suas necessidades básicas como fome, sede, vontade de ir ao banheiro, tomar banho, dormir. Para que sobrevivesse sua mãe tinha de adivinhar suas necessidades. Além de tudo, tinha um comportamento agitadíssimo e incontrolável, segundo seus pais. Onde ia causava algum transtorno e não tinha a menor noção de perigo. Às vezes escapava do controle dos pais e andava pelas ruas sem olhar para os lados.
Medo não fazia parte de sua história. Por que? Ele não arquivara, ao longo da vida, experiências prazerosas ou dolorosas, portanto, não tinha parâmetros para estabelecer critérios de realidade, do que era certo ou errado.
Após ser avaliado por neurologistas e psicólogos chegou-se ao diagnóstico de autismo. Não tinha movimentos repetidos, mas havia se isolado completamente do mundo. Fechara-se dentro de si, não por querer, mas porque não desenvolveu canais de comunicação que somos capazes de produzir.
Como não tinha parâmetros para registrar as informações em seu cérebro, era como se não tivesse memória.
O mais importante naquele momento era estimular sua memória, ensiná-lo a registrar pensamentos e mostrar a ele o que acontecia a seu redor, para que percebesse as emoções e aprendesse a usá-las para começar a se comunicar de alguma forma.
Foi pedido aos pais que elogiassem o menino, inclusive com palmas e gestos quando ele tivesse a mínima reação diante de algum fato e que não o punissem caso o oposto acontecesse, mas expressar tristeza e decepção. O objetivo era fazer com que estes gestos produzissem algumas reações e ele registrasse a carga emocional existente. Despertando o lado emocional ele começaria a produzir pensamentos e criaria vínculos.
Após dois meses ele começou a reagir favoravelmente, olhando diretamente para as pessoas, solicitando o que desejava e após algum tempo começou a frequentar uma escola, no início com dificuldade, precisando de uma mediadora, mas criando vínculos afetivos com o mundo a seu redor.
Ele ainda tem pequenas diferenças intelectuais em relação a outras crianças da sua idade. Algumas podemos considerar positivas: tem menos medo, inibição, é mais criativo e seguro quando realiza alguma atividade. Porque isto aconteceu? Porque na sua memória não foram registrados tensão, medo, indecisão, incertezas e nem preocupação com o que os outros pensariam dele."
Esta pequena história registrada por Augusto Cury e descrita aqui com algumas alterações não pode ser avaliada e nem servir de parâmetro para o tratamento dos diversos sintomas que nossas crianças especiais apresentam. Temos que lembrar sempre que cada pessoa é um ser único, com personalidade própria e com potenciais diferentes e cada um vai reagir de maneira diferente em diferentes situações.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Dia Mundial da Conscientização do Autismo
Boa noite a todos os seguidores do blog!!!
Ontem foi o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. A ONU criou a data no fim de 2007, iniciando a campanha em 02 de abril de 2008. Desde então, anualmente, o mundo todo se ilumina de azul pelo autismo. Em várias partes do mundo teve comemorações, monumentos iluminados de azul (diga-se de passagem, uma cor linda), lembrando a data e mostrando para todos a importância de se ter consciência sobre o que é o Autismo (e por que não de outras síndromes?). Uma data muito importante para todos; crianças com necessidades especiais, pais e profissionais que convivem diariamente com algo que vai além da procura por uma explicação científica, religiosa ou racional. Todos os dias deveriam ser considerados um dia de conscientização, principalmente para a população em geral.
Vários livros, filmes, palestras e informações saem todos os dias sobre o tema. O mais importante é saber filtrar e entender o que é realmente relevante.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que temos mais ou menos 70 milhões de pessoas com autismo no mundo. No Brasil, a estimativa é de 2 milhões. A Lei Federal 12.764/12, aprovada recentemente pode ajudar muito mas tem que ser algo além de palavras escritas em um papel. Tem que funcionar na prática. No dia a dia de nossas crianças é que esperamos o cumprimento do que está na Lei.
O que estamos fazendo em relação às nossas crianças? Temos que compreender e lidar com elas com muito respeito e amor e tentar construir uma sociedade mais aberta e consciente dos direitos delas.
"Devemos olhar a criança com autismo sob a perspectiva dela, pois somente desta forma seremos capazes de ajudá-la, Não existe uma criança "normal" escondida por trás do autismo.O autismo é uma maneira de ser que perpassa toda a vivência com suas percepções, pensamentos, emoções e sensações. É impossível dissociar a pessoa do autismo. Para se estabelecer uma relação verdadeira com a criança que tem autismo, temos que nos abrir para uma nova forma de entendimento compartilhado, que inclua novos sinais e significações que sejam compreensíveis para ela. E nessa concepção somos nós que temos que aprender uma nova linguagem. É claro que nos comunicar com alguém cuja linguagem não é a nossa é algo bem trabalhoso; por isso estudamos durante anos idiomas diversos para estabelecermos contato com pessoas estrangeiras. Com o autismo se dá algo semelhante, mas com um detalhe bastante peculiar: é uma maneira de ser que vai muito além de uma cultura e sua linguagem. Trata-se de uma existência humana estrangeira em qualquer lugar do mundo. Por isso mesmo, temos que nos despir de todas as certezas do nosso mundinho confortável de conhecimento e permitir que essas crianças nos ensinem um pouco de sua própria linguagem e de seu universo tão especial."(*)
O que elas precisam são pessoas que as valorizem, não tenham preconceitos e as amem por serem quem são, sem comparações com outras crianças. Da mesma forma que para nós cada criança com autismo é como uma caixinha de surpresas, para eles também é bastante trabalhoso perceber, conhecer e aprender sobre o nosso mundo. Mas nada é impossível se existir amor, carinho, atenção, apoio, aceitação, limites.
Vamos lutar por um mundo melhor, mais consciente e que valorize mais a conquista de cada um de nós, autistas ou não.
(*) Silva, Ana Beatriz B.; Mundo Singular.
quinta-feira, 14 de março de 2013
AUTISMO - O SIGNIFICADO DA AFETIVIDADE E DO AMOR
Muitas vezes, pessoas próximas de autistas ficam preocupadas por eles não expressarem seus sentimentos. Normalmente é uma área em que têm dificuldades de lidar. Afetividade eles tem, mas a forma de expressar é muito diferente, e às vezes não é expressa da forma que estamos acostumados e treinados a decifrar.
Nunca vão fingir amor, nunca dirão palavras que não signifiquem exatamente o que estão sentindo.
São pessoas autênticas, sem falso moralismo, não enganam e não serão românticas nem ciumentas demais. Elas simplesmente mostrarão o que sentem de verdade, o amor aprendido e vivido na prática.
Perceber, sentir e expressar sentimentos não é muito fácil para estas pessoas. É muito difícil para eles interpretar expressões faciais, gestos ou comportamentos que remetem a sentimentos claros: alegria, tristeza, choro, raiva, decepção, ciúme, felicidade. A percepção do que ocorre com o outro não é percebida naturalmente pela pessoa com autismo e pode levar anos até que aprenda. É como se tivessem dificuldade em "ler" o estado mental do outro, e por isso, eles não conseguem inferir o que o outro está sentindo.
Isso os tornam pessoas muito ingênuas; eles podem acreditar em tudo que lhes é falado, entendendo "ao pé da letra", não percebendo as palavras de duplo sentido, por isso a dificuldade em entender piadas ou brincadeiras. A intenção de seus atos é sempre concreta e objetiva, e quando amam o fazem de verdade. Até porque não conseguem dissimular ou mentir. Para eles não existe um motivo para fingir.
É importante não confundir esse comportamento comum em pessoas com transtorno de personalidade psicopata. Na realidade, o psicopata é uma pessoa que não consegue sentir nada, não tem sentimentos ou emoções. É frio, calculista e racional. Não consegue sentir ou nutrir afetos. Ele considera o outro como alguém que tem a função única e exclusiva de agradar-lhe e fazer suas vontades. Todos os seus atos são movidos por intenções friamente calculadas. Eles tem consciência do estado mental das outras pessoas, se estão alegres ou tristes, mas isso não importa. Fazem uso disso para seu próprio prazer. Não se importam com os outros e são muito hábeis socialmente, em mentir e enganar.
As pessoas com autismo tem uma inocência inata e jamais manipulariam o outro. Quando são inadequadas, o fazem sem querer.
Diferente do psicopata, que é narcisista e egoísta, a pessoa com autismo sofre porque não consegue se fazer compreender nem compreender o outro.
O mais importante é a família dar muito carinho, atenção, amor, ensinando que a afetividade e o amor fazem parte da vida e eles vão perceber, sentir e começar a fazer o mesmo, demonstrar seus sentimentos.
Uma boa semana a todos!!!!!
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Bom dia amigos! Mais um ano que inicia com muita energia. Segue um artigo enviado pelo meu filho, sobre a visão do autismo pelo próprio autista. Vale a pena ver até o final.
COMO SERIA ESTAR POR TRÁS DOS OLHOS DE UM AUTISTA?
por Gustavo Serrate em 30 de dez de 2012 às 06:56
Lê se na tela de um computador: "Meu nome é Carly Fleischmann e desde que me lembro, sou diagnosticada com autismo", a digitação é lenta, a idéia não é concluída sem algumas interrupções, é assim que Carly trava contato com o mundo. Carly é uma adolescente de Toronto, Canadá, e atravessou uma batalha na vida. Ajudada pelos pais, ela conseguiu superar a barreira máxima do isolamento humano.
“Quando dizem que sua filha tem um atraso mental e que, no máximo atingirá o desenvolvimento de uma criança de seis anos, é como se você levasse um chute no estômago", diz o pai de Carly. Ela tem uma irmã gêmea que se desenvolvia naturalmente, e aos dois anos, ficou claro que havia algo de errado. Ela estava imersa no oceano de dados sensoriais bombardeando seu cérebro constantemente. Apesar dos esforços dos pais, pagando profissionais, realizando tratamentos, ela continuava impossibilitada de se comunicar e de ter uma vida normal. O pai de Carly explica que ela não era capaz de andar, de sentar, e todos doutores recomendavam: "Você é o pai. Você deve fazer o que julgar necessário para esta criança".
Eram cerca de 3 ou 4 terapeutas trabalhando 46 horas por semana. Os terapeutas acreditavam que Carly fosse mentalmente retardada, portanto, sem esperanças de algum dia sair daquele estado. Amigos recomendavam que os pais parassem o tratamento, pois os custos eram muito altos. O pai de Carly, no entanto, acreditava que sua criança estava ali, perdida atrás daqueles olhos: "Eu não poderia desistir da minha filha".
Subitamente aos 11 anos algo marcante aconteceu. Ela caminhou até o computador, colocou as mãos sobre o teclado e digitou lentamente as letras: H U R T - e um pouco depois digitou - H E L P. Hurt, do inglês "Dor", e Help significa "Socorro". Carly nunca havia escrito nada na vida, nem muito menos foi ensinada, no entanto, foi capaz de silenciosamente assimilar conhecimento ao longo dos anos para se comunicar, usando a palavra pela primeira vez, em um momento de necessidade extrema. Em seguida, Carly correu do computador e vomitou no chão. Apesar do susto, ela estava bem. "Inicialmente nós não acreditamos. Conhecendo Carly por 10 anos, é claro que eu estaria cético", disse o pai.
Os terapeutas estavam ansiosos para ver provas e os pais incentivavam Carly ao máximo para que ela se comunicasse novamente. O comportamento histérico de Carly permanecia exatamente como antes e ela se recusava a digitar. Para força-la a digitar, impuseram a necessidade. Se ela quisesse algo, teria que digitar o pedido. Se ela quisesse ir a algum lugar, pegar algo, ou que dissessem algo, ela teria que digitar. Vários meses se passaram e ela percebeu que ao se comunicar, ela tinha poder sobre o ambiente. E as primeiras coisas que Carly disse aos terapeutas foi "Eu tenho autismo, mas isso não é quem eu sou. Gaste um tempo para me conhecer antes de me julgar".
A partir dai, como dizem os pais, Carly "encontrou sua voz" e abriu as portas de sua mente para o mundo. Ela começou a revelar alguns mistérios por trás do seu comportamento de balançar os braços violentamente, e de bater a cabeça nas coisas, ou de querer arrancar as roupas: "Se eu não fizer isso, parece que meu corpo vai explodir. Se eu pudesse parar eu pararia, mas não tem como desligar. Eu sei o que é certo e errado, mas é como se eu estivesse travando uma luta contra o meu cérebro".
"Eu gostaria de ir a escola, como as outras crianças. Mas sem que me achassem estranha quando eu começasse a bater na mesa, ou gritar. Eu gostaria de algo que apagasse o fogo". Carly explica ainda que a sensação em seus braços é como se estivessem formigando, ou pegando fogo. Respondendo a uma das perguntas que fizeram a ela, sobre porquê às vezes ela tapa os ouvidos e tapa os olhos, ela explica que isso serve para ela bloquear a entrada de informações em seu cérebro. É como se ela não tivesse controle e tivesse que bloquear o exterior para não ficar sobrecarregada. Ela explica ainda que é muito difícil olhar para o rosto de uma pessoa. É como se tirasse milhares de fotos simultaneamente com os olhos, e é muita informação para processar. O cérebro de Carly não possui a capacidade de catalizar a quantidade imensa de informações para os sentidos, e consequentemente, ela não pode lidar com a quantidade excessiva de informação absorvida.
Segundo o pai de Carly, ela faz questão de dizer, que é uma criança normal, presa em um corpo que a impede de interagir normalmente com o mundo. O Pai de Carly teve a chance de finalmente conhecer a filha. A partir do momento em que ela começou a escrever, se abriu para o mundo. Carly hoje está no twittere no facebook. Ela conversa com as pessoas e responde dúvidas sobre o autismo. Com ajuda do pai ela escreveu um livro chamado Carly's Voice (A voz de Carly). Entre os mais variados comentários que ela recebe sobre o livro, um crítico disse: "A história de Carly é um triunfo. O autismo falou e um novo dia nasceu".
Assista o curta-metragem interativo "Carly's Café", baseado em um trecho do livro, e vivencie a experiência de Carly por alguns minutos:
Veja algumas perguntas respondidas por Carly que ajudam a elucidar algumas questões do autismo:
Questão 1: Carly, você pode me dizer porque meu filho cospe todo o tempo? Ele tem todos os outros tipos de comportamento também: Bater a cabeça, rolar, balançar os braços, mas o cuspe é asqueroso e realmente faz com que as pessoas queiram ficar longe dele. Alguma idéia?
Carly: Eu nunca cuspi, quando era criança. No entanto, eu babava, e sentia como se cuspisse. Hoje eu percebo que eu nunca soube como engolir a saliva. Eu nunca usei minha boca para falar, e por isso, nunca usei os músculos da boca. Quando você tem saliva presa na sua boca, existem poucas maneiras de se livrar do desconforto. Tente dar a ele alguns doces por duas semanas. Isso vai fortalecer os músculos e ensina-lo a engolir a saliva.
Questão 2: Meu garoto de quatro anos grita no carro toda vez que o carro para. Ele fica bem, desde que o carro mantenha-se em movimento. Mas uma vez que parou, ele começa a gritar. É uma mania incontrolável.
Carly: Eu adoro longos passeios de carro. O carro em movimento, e o visual passando rapidamente permite que você bloqueie outros impulsos sensoriais e foque em apenas um. Meu conselho é que você coloque um DVD no carro com cenário em movimento.
Questão 3: Você alguma vez já gritou sem razão nenhuma? Mesmo com o semblante feliz, e tudo calmo e relaxado, mas você apenas começa a gritar? Minha filha às vezes faz isso e eu estou tentando entender o porquê.
Carly: Ela está filtrando o audio e quebrando os sons, ruídos e conversações através do dia. Além de gritar, ela poderá chorar, rir alto e até demonstrar raiva. É a nossa reação por finalmente entendermos algo que foi dito há alguns minutos, alguns dias ou alguns meses. Está tudo ok com ela.
Questão 4: Como eu faço com que um adolescente pare com movimentos repetitivos na classe? Ele diz que os professores são chatos e que é muito mais divertido na cabeça dele. Eu sei que é, mas ele está perdendo todas as instruções e leituras. Eu estou sempre redirecionando ele, mas ele está perdendo tanto. Me ajude.
Carly: Ok. Preciso limpar uma má interpretação sobre o autismo. Se uma criança está fazendo movimentos repetitivos, não quer dizer que ele ou ela não esteja escutando. De fato, ela escuta melhor se ela estiver fazendo esses movimentos. Eu estou estudando e ainda faço movimentos na classe. Eu tento ser discreta, como se estivesse enrolando um pequeno pedaço de papel nos meus dedos. Todos fazem movimentos repetitivos. Pense nos desenhos que você faz quando está no telefone, ou enrolando a ponta dos cabelos, ou enroscando o lápis entre os dedos. Isso é um "stim" (uma movimentação repetitiva). Não há nada de errado com isso, mas às vezes é melhor tentar ser discreto.
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