quinta-feira, 27 de junho de 2013

O TRANSTORNO DE PROCESSAMENTO SENSORIAL



Atualmente conhecido como dificuldade de processamento e integração da informação sensorial ou disfunção de integração sensorial, pode ocorrer em qualquer período do desenvolvimento e não está ligada diretamente a uma patologia ou deficiência, mas observa-se que alguns diagnósticos apresentam maior propensão a apresentar problemas sensoriais, como por exemplo o  autismo e dificuldades de aprendizagem. Esse transtorno é definido como a incapacidade de modular, discriminar, coordenar ou organizar as sensações de forma adequada, ou seja, é o processamento inadequado de informações sensoriais (oriundas de todos os sistemas sensoriais - tato, olfato, paladar, audição, visão, vestibular e propriocepção, e do próprio ambiente), que pode ocasionar principalmente dificuldade no aprendizado e no comportamento.

Quais são os sinais que as crianças com transtorno de processamento sensorial apresentam?
A criança pode apresentar alguns sinais discretos de transtorno de processamento sensorial que são indícios de uma dificuldade específica que afetam as habilidades da criança em fazer o que quer ou necessita realizar. Se a criança apresentar vários comportamentos como os descritos abaixo, pode ser encaminhada para uma avaliação, onde o terapeuta traça o perfil sensorial da criança e elabora um programa de tratamento específico e individualizado.

.Tipo 1
.Transtorno de Modulação Sensorial
Evitam toques ou atividades que envolvam toques
Tocam tudo enquanto se locomovem
Tapam os ouvidos em ambientes com som ambiente diverso
Cheiram objetos e pessoas o tempo todo
Se assutam facilmente
São muito seletivas para comer, rejeitam alimentos com texturas específicas
Sentem enjôo ou náusea em veículos em movimento
Dificuldades em regular os ciclos de sono
Rejeitam tomar banho, escovar os dentes e lavar as mãos frequentemente
Choro excessivo em terapias, em contato com outras pessoas
Medos excessivos de cair, de movimentar-se, de altura
Movimentam-se, balançam os pés, tamborilam os dedos, o tempo todo para comer, escrever, ler e manter a atenção
Detestam brincadeiras de movimento ou playground
Estão em contante movimento, só brincam em atividades de muito movimento
Nunca choram quando se machucam
Náusea ou vómito com alimentos texturizados ou em consistências específicas (purê, sopa, caldo, granulados)

.Tipo 2
.Transtorno de Discriminação Sensorial
Não conseguem manter a atenção em uma atividade
Parecem não ter preferências alimentares nem declaram gostos por comidas
Não percebem mudanças no discruso, entonações ou assunto
Não usam as pistas visuais para orientar-se no ambiente
Não percebem mudanças climáticas, uso inadequado de roupas a temperatura ambiente
Dificuldades para diferenciar letras, sons, palavras
Não conseguem explorar brinquedos e objetos
Parecem não ouvir quando chamadas pelo nome, não distingue tons de fala e não identifica quem a está chamando sem olhar

.Tipo 3
.Transtorno Motor com Base Sensorial
Não consegue realizar atividades com várias etapas
Debruçam-se sobre a mesa para escrever, comer e ler
Parece não saber como resolver um problema simples para sua idade
Não conseguem seguir regras e sequenciar etapas para concluir uma ação
Sentem-se frustadas com atividades em grupo, esportes
Parecem muito desajeitadas ao manipular um objeto, derrubam tudo o tempo todo
Dificuldades em sequenciamento, formação de frases e textos
Dificuldades no traçado das letras, na grafia abstrata e na coordenação motora sem nenhum comprometimento motor
Dificuldades em correr, pular, saltar, atirar objetos em alvos sem comprometimento motor que explique sua dificuldade
Movem-se muito lentamente com excesso de cautela, parece sempre ter um obstáculo a sua frente

O tratamento mais indicado é  utilizar a abordagem de Integração Sensorial que tem como objetivo melhorar a capacidade da criança em aprender os processos envolvidos na realização das habilidades.

A aplicação da terapia de integração sensorial focaliza a capacidade de receber, perceber, recordar, e fazer o planejamento da ação (resposta), tratando o problema e não somente amenizando o sintoma.

A criança ou adolescente através das atividades com ofertas sensoriais que realiza aprende naturalmente e enriquece seu repertório de respostas ao ambiente através de ações efetivas e funcionais.


Fontes de Pesquisa:  The Thinking Person's Guide to Autism: The Book, Shannon Des Roches Rosa, Jennifer Byde Myers e Emily Willingham e colaboradores e  site Artevida;

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