RECOMEÇO
Passadas as festas de final de ano é hora de começar a pensar e fazer planejamento para o ano que inicia. Temos vários desejos, metas a serem alcançadas, projetos a serem finalizados e quando pensamos nos nossos filhos, começamos a procurar as melhores alternativas possíveis para seu aprendizado, recuperação, progressos e melhor qualidade de vida.
Muitos pais, diante do filho pequeno e indefeso, prometem a si mesmos resguardá-lo de todo sofrimento e frustração. A superproteção sufoca, atrasa e passa insegurança para nossos filhos.
Li um artigo onde uma frase chamou atenção - CRESCER DÓI - se pararmos para pensar, crescer dói para todos. Mas é uma dor que pode ser diminuída ou excluída de nossas vidas.
A primeira grande dor que o bebê enfrenta é ao nascer, quando precisou deixar o ambiente perfeito que o abrigou durante a gravidez; um lugar aquecido e protegido, sem sobressaltos e esforços, com todas suas necessidades satisfeitas a tempo e hora. De repente, o desconforto das contrações, a passagem pelo apertado canal vaginal ou pelo corte estreito da cesárea. Vem o frio, a luz, o esforço para respirar e o desamparo diante de um mundo imenso e desconhecido (alguém lembra desse momento? Para nossa felicidade não precisamos relembrar).
Outras sensações incomodas vão acontecendo após o nascimento do bebê: a sensação de fome e a espera pela oferta do peito ou da mamadeira; as cólicas, as roupas molhadas, a adaptação ao novo mundo que está vivendo agora. Ainda bem que os cuidados adequados e o aconchego amoroso dos pais vão minimizando estas sensações dolorosas.
O tempo vai passando e aparecem mais novidades. Ele vivencia experiências novas, às vezes dolorosas: as primeiras viroses, o desmame, a introdução da alimentação sólida de textura e gosto estranhos e a separação da mãe, que precisa voltar a trabalhar ou retomar seus afazeres, interesses e horários habituais. Sem dimensionar a culpa da mãe que para cumprir todos seus compromissos tem que deixar por algumas horas seu bebê tão dependente dela.
Mas o milagre da vida faz com que este bebê sobreviva, cresça e adquira várias habilidades importantes, como se locomover, falar, brincar, se torna mais independente, esperto e muitas vezes....teimoso!!!
E como ficam os pais e os bebês que nascem com alguma limitação, "crianças especiais", que não passam por todo este processo nas mesmas condições? Para os pais existe o período de negação, culpa, desânimo, até internalizar que é preciso fazer algo urgente. A aceitação que existe algo "diferente" é o primeiro passo e a partir daí precisamos começar a fazer algo imediatamente. Uma verdadeira romaria começa: médicos, exames, profissionais especializados dependendo da necessidade da criança, cuidador(a) certa, escola adequada, adaptação da família a esta nova realidade.
Acreditem, vocês não estão sozinhos!!! Várias famílias tem as mesmas perguntas, as mesmas dúvidas.
Profissionais especializados em crianças, adolescentes e adultos com necessidades especiais estão preparados para ajudar e acolher da melhor maneira possível cada um de vocês.
Trabalhar com seu filho é um grande aprendizado e alegria imensa em poder ajudar e fazê-lo crescer.
Acredite sempre no melhor....acredite sempre nos seus filhos.....As crianças que são incentivadas a crescerem e enfrentarem os desafios da vida aprendem que viver às vezes dói, mas que o tempo e os recursos de que dispõem curam dores e permitem a eles seguirem em frente!
"O principal objetivo da terapia psicológica não é transportar o paciente para um impossível estado de felicidade, mas sim ajudá-lo a adquirir firmeza e paciência diante do sofrimento. A vida acontece num equilíbrio entre a alegria e a dor. Quem não se arrisca para além da realidade jamais encontrará a verdade! " (Carl Jung)

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