CONVERSANDO SOBRE A
ANSIEDADE
“Se a preocupação excessiva, a irritabilidade e a fadiga
estão prejudicando sua vida, CUIDADO; pode ser o transtorno ansioso se
manifestando. Respire fundo, desacelere, e procure ajuda o quanto antes.”
Para entender o que acontece com nosso corpo e nossa mente,
muitas vezes é necessário parar e prestar atenção ao que estamos sentindo. Um
sintoma muito comum é o que chamamos de ANSIEDADE. Primeiro é preciso
entendê-la e depois procurar métodos adequados para nos livrar-nos dela.
É importante ressaltar aqui a diferença entre ANSIEDADE e
ESTRESSE (muito comum ouvir que qualquer alteração emocional ou física é devido
a esse fator).
ANSIEDADE – Segundo o Dicionário da Língua
Portuguesa de Aurélio Buarque de H. Ferreira, é “sofrimento de quem espera o
que é certo vir; impaciência; comoção afetiva do espírito que receia que uma
coisa suceda ou não”. Segundo o Moderno Dicionário da Língua Portuguesa de
Michaelis é “atitude emotiva concernente ao futuro e que se caracteriza por
alternativas de medo e esperança; medo vago adquirido especialmente por
generalização de estímulos”.
ESTRESSE – Segundo Aurélio/Michaelis é
“reação do organismo frente às influências nocivas de ordem física, psíquica,
infecciosa, capazes de perturbar o equilíbrio interno”.
Hans Selye introduziu o termo “estresse” ou “stress” na
literatura médica: “Caracteriza uma
alteração endocrinológica que se processa no organismo quando este se encontra
em situação que requeira dele uma reação mais forte que aquela que corresponde
à sua atividade orgânica normal”.
Conceitos a parte, vamos resumir o que é ANSIEDADE, motivo de nosso estudo de hoje: “É o resultado da
aceleração de nossas mentes desencadeadas pelo novo”.
Ao preferir o conhecido, a mente cria a ilusão de que podemos
controlar tudo e antecipar os acontecimentos de nossas vidas, como se isso
fosse suficiente para estarmos livres dos problemas que surgem. Quando as
sensações de instabilidade e insegurança se instalam, começam a surgir os
quadros ansiosos.
Podemos dizer que a ansiedade sempre esteve presente, desde
os tempos das cavernas até a era espacial. A novidade é que só agora estamos
dando atenção aos efeitos da ansiedade em nosso organismo. Existem autores que
definem a era moderna como a era da ansiedade, associando a esse acontecimento
psíquico a agitada dinâmica existencial da modernidade. Diz-se que a simples
participação do indivíduo na sociedade, já preenche por si só, um requisito
suficiente para o surgimento dela. No tempo das cavernas era um sinalizador de
alerta frente a um perigo iminente e real. Os homens tinham que caçar para
comer, mas o instinto de sobrevivência os deixavam em alerta, pois sabiam os
perigos que tinham que enfrentar gerando ansiedade antes de começarem a busca
pelo alimento – o medo do desconhecido estava sempre presente.
A origem da ansiedade
pode ser:
GENÉTICA - o indivíduo
herda de seus ancestrais uma pré-disposição para ter sintomas de ansiedade. As
manifestações podem ser precoces, sendo uma criança agitada, às vezes
hiperativa, que chora com facilidade e até com dificuldades para dormir.
PROBLEMAS NA INFÂNCIA -
surge decorrente de uma infância carente; a dificuldade dos pais em
passar afeto vão fazendo com que a criança se sinta insegura, com sentimentos
negativos de que coisas ruins podem acontecer a qualquer momento.
DIFICULDADES ATUAIS -
dificuldade em incorporar fatos novos ou desconhecidos. O novo produz a
sensação de medo e de que algo ruim e perigoso pode acontecer (o que conhecemos
traz a sensação de segurança e controle). O pensamento é mais ou menos assim:
“Tudo que vem de mim é seguro e tudo que vem de fora e não está sob meu
controle é perigoso”. Vocês se lembram do personagem de desenho , a hiena
Hardy, amiga do leão Lippy? Diante do desconhecido ela sempre dizia: “Oh céus,
oh vida, oh azar, não vai dar certo”. Traumas de infância, problemas de saúde,
grandes sustos ou perdas (afetivas e materiais) podem gerar quadros ansiosos, mas não são causa única do problema.
Segundo ABUCHAIM,
Cláudio M. e colaboradores “a ansiedade é um acompanhante normal do
crescimento, das mudanças, de experiências novas e inéditas, do encontro da
própria identidade e do sentido de vida de uma pessoa”. Quando não reagimos
normalmente frente a estes acontecimentos surgem os SINAIS DE ANSIEDADE,
através de sintomas psíquicos – agitação, pensamentos negativos, sensação de
instabilidade e insegurança, sensação de perigo iminente e urgência em resolver
os problemas; e sintomas físicos – aumento da frequência cardíaca (taquicardia),
aumento das secreções (urinárias e fecais), boca constantemente seca, corpo
tenso, dores de cabeça, sensação de desmaio, respiração ofegante e sudorese.
E as Crianças – Elas Também Ficam Ansiosas?
Segundo KENDALL, P.C., Child & Adolescent Therapy, 91-
“As crianças ansiosas parecem preocupadas com as avaliações sobre si e sobre os
outros e com a probabilidade de uma série de consequências negativas”.
O neuropediatra Saul Cypel, diretor do Instituto de Neurodesenvolvimento Integrado e professor de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), traça o perfil do pequeno ansioso: irriquieto, muitas vezes incapaz de concentrar-se em uma atividade por vez, que frequentemente não respeita a privacidade do outro, enfrenta dificuldade de interação com os colegas, apresenta comportamento mais impulsivo e reage às vezes de forma exagerada a pequenas frustrações.
O psiquiatra Fernando Asbahr, acrescenta outros elementos que ajudam a fechar o diagnósticos em crianças. "Ela se encontra muitas vezes em sobressalto, com preocupações e medos exagerados em relação a muitas coisas, como por exemplo ficar longe dos pais ou
apresentar baixo desempenho escolar. Também costuma ter dificuldade para fazer amizades e expor-se em grupos, temendo a reação dos outros". Uma em cada dez crianças/adolescentes apresenta algum quadro de ansiedade. Normalmente na forma de fobia social ou preocupação exagerada com o julgamento alheio. Estes medos são confundidos com manha ou falta de empenho e interesse.
Barrios e Hartmann, em estudo de 1988 sobre a
ansiedade infantil, descreveu que a criança pode ter:
REAÇÕES
MOTORAS – voz trêmula, postura rígida, choro constante, roer unha ou chupar o
dedo.
REAÇÕES
FISIOLÓGICAS - aumento da atividade
motora, transpiração, dor abdominal, rubor, tremores, desconforto intestinal,
necessidade urgente de urinar.
PENSAMENTOS
NEGATIVOS - de ser ferido, de auto
crítica severa, de perigo iminente
Quanto
maior a quantidade de pensamentos negativos maior a probabilidade de a criança
ser ansiosa.
Podemos
ainda citar outros sintomas (segundo Dr. Francisco B. Assumpção Jr. em
Psiquiatria da Infância e Adolescência);
-
redução significativa no rendimento e interesse escolar;
-
abandono das atividades antes realizadas;
-
distanciamento de amigos e familiares;
-
perturbação do sono (pesadelos, insônia);
-
hiperatividade, inquietação e/ou agressividade;
-
reações emocionais mais violentas;
-
rebeldia, birra, atitudes de oposição;
-
preocupação e/ou ansiedade excessiva.
Os
transtornos decorrentes da ansiedade podem ser: fobias (específica e social),
TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), estresse pós-traumático, síndrome do
pânico.
COMO SAIR DO ESTADO DE ANSIEDADE?
Abaixo
damos algumas dicas para diminuir/eliminar estes sintomas que tanto nos
incomoda:
-
respirar fundo e lentamente pelo maior tempo que você for capaz (ajuda a
desacelerar fisiologicamente o cérebro e consequentemente a mente);
-
diante de um problema, olhá-lo de frente, procurando entendê-lo (a solução está
no fato em si e não na sua mente. Olhe
para o novo buscando conhecê-lo. Lembre-se que as situações são sempre
diferentes umas das outras);
-
aceitar que não podemos ter controle sobre tudo;
-
novos problemas e dificuldades se resolvem com ação alinhada ao pensamento;
-
aceitar a possibilidade de perder (não querer ganhar sempre e a qualquer custo,
pois aumenta a chance de derrota. Aceitar a ajuda de outras pessoas é muito
importante neste momento);
-
aceitar conviver com a insegurança (não tenha pressa em se livrar dela, pois
quanto mais tempo encarar esta insegurança mais calmo ficará);
-
não se deixe enganar pela mente (quando tiver pensamentos negativos, desvie sua
atenção para outros assuntos. Com certeza temos vários pendentes em nossos
arquivos mentais).
A psicoterapia pode ser um importante aliado para ajudar a identificar as situações de ansiedade e lidar com elas.
A psicoterapia pode ser um importante aliado para ajudar a identificar as situações de ansiedade e lidar com elas.
Oi Eni,muito interessante esse texto.Tem muito haver comigo.Que bom amiga estou precisando muito desses conhecimentos.Continue crscendo,Bjs Lucia Eleni.
ResponderExcluirObrigada Lucia!! Seu incentivo é muito importante para mim. abços
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