O IDOSO ESPECIAL NA
NOSSA SOCIEDADE*
A palavra idoso(a) é adotada para aquela pessoa que passou dos 60 anos. Mas existem pessoas com mais de 60 anos que não se consideram e não parecem terem envelhecido. O desgaste físico é inevitável, pois o corpo com o passar do tempo começa a apresentar marcas que só a idade pode trazer. Com a qualidade de vida, atualmente uma preocupação de muitos, o corpo e a mente demoram mais a dar estes sinais de envelhecimento e a jovialidade sempre poderá ser mantida.
Indo na contramão de todos os prognósticos, a pessoa especial
tem condições de viver muito mais tempo, pois desde pequeno tem atendimentos
especializados que o ajudam a crescer e superar muitas deficiências. A ajuda
dos familiares é fundamental para garantir uma vida cada vez mais longa e
melhor.
Ser idoso, de maneira geral, não é ser obsoleto, aquele que
vive de lembranças, estacionado no passado. Ele tem muito a ensinar e muito que aprender. Ele tem sonhos, planos e quer
realizá-los. Não deve simplesmente ver o tempo passar à espera do fim de sua
jornada e se desinteressar por tudo – existem
idosos que ainda vivem assim , mas cada vez em número menor.
Sua atitude mental positiva e sua jovialidade interior não
deixam que o idoso se entregue. Ele deve se renovar a cada dia, ocupando-se com
os mais diversos tipos de interesses pessoais, mantendo uma vida produtiva e
alerta.
A medicina atual aconselha todo o tempo que o idoso faça
exercícios, cuidando do corpo (caminhadas, natação, etc) e a mente
(quebra-cabeças, assistir filmes, documentários ou novelas, ler um bom livro,
etc), estude, cuide da saúde, se alimente de maneira saudável, dance,
namore, encontre os amigos, mantenha-se
em movimento, fazendo o que lhe dá prazer.
O crescimento da população de idosos é um fenômeno mundial.
Devido aos avanços da medicina as pessoas estão vivendo mais. Para a ONU
(Organização das Nações Unidas) o envelhecimento da população significa
amadurecimento nas relações sociais, econômicas, culturais e espirituais da
humanidade.
Para termos uma ideia mais concreta sobre esse tema, meio
século atrás, pessoas com Síndrome de Down raramente sobreviviam além da
adolescência. Essa situação mudou inteiramente. A expectativa de vida delas
saltou para 56 anos, e já não causam surpresa aquelas que ultrapassam os 60 ou mesmo os 70 anos. Vários fatores
contribuíram para que isso acontecesse – a assistência médica específica e mais
eficiente, maior oportunidade de convívio social, o acesso à escola e ao
mercado de trabalho são os principais. Isso tudo formou uma geração de
indivíduos que nasceram com Down e estão chegando à terceira idade. Trata-se de
inesperado desafio.
Como lhes proporcionar os cuidados de que necessitam quando
envelhecerem? Quando chegam a essa fase
da vida, seus pais, as pessoas que geralmente davam atenção a eles desde
pequenos, ou estão muito velhos ou morreram. "No passado, os médicos
diziam para os pais não se preocuparem, porque os problemas físicos nunca
deixariam pessoas com Down chegarem a
fase adulta", diz Jô Clemente, uma
das fundadoras da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), de São Paulo.
"A situação agora é completamente outra."
Estima-se em 300.000 o número de brasileiros com Down. A
síndrome ocorre quando o cromossomo 21, em lugar de ser formado pelo par
normal, ganha um terceiro elemento. Os sinais exteriores da alteração genética
são perfeitamente visíveis. Os olhos amendoados e o rosto arredondado lembram
vagamente traços orientais. Os músculos são flácidos, o que dificulta a fala e
aumenta a possibilidade de quedas. O metabolismo mais lento favorece a
obesidade. O desenvolvimento intelectual é comprometido em grau variado.
Problemas nos órgãos internos e no sistema imunológico também são frequentes e
exigem atenção médica.
Muitos desses problemas podem ser minorados com o atendimento
adequado. Em centros especializados e nas mais de 2.000 APAES espalhadas pelo
Brasil (quase uma para cada dois municípios), fonoaudiólogos treinam a fala,
fisioterapeutas ensinam exercícios para fortalecer a musculatura e terapeutas
estimulam o desenvolvimento cognitivo com brincadeiras e atividades. Poucas
dessas pessoas com Down que hoje têm mais de 60 anos foram diretamente
beneficiadas por essa estrutura de apoio criada sobretudo, nas últimas duas
décadas. Alcançaram a terceira idade em grande parte graças ao esforço dos pais
e familiares para incluí-las no convívio familiar e na sociedade.
"Os principais
responsáveis pela melhoria observada nas pessoas com síndrome de Down foram os
familiares, que exigiram e forçaram os profissionais de saúde a se preparar
para lidar com seus filhos", diz o médico geneticista e pediatra Zan
Mustacchi, do Centro de Estudos e Pesquisas Clínicas de São Paulo.
O novo desafio dos pais agora é planejar a velhice dos filhos
com Down. Os especialistas aconselham a treinar o deficiente para uma vida com
autonomia. Isso significa ensinar a realizar sem ajuda tarefas do cotidiano,
como fazer compras no supermercado, usar o sistema de transporte público e
cozinhar. Um curso profissional pode prepará-lo para o trabalho. Um indivíduo
com Síndrome de Down pode perfeitamente aprender e fazer trabalhos diversos.
Embora nunca se possa prever o grau de inteligência que uma pessoa com Down
atingirá, a maioria é capaz de realizar as atividades domésticas sem
supervisão. Outros conseguem avanços maiores. No Brasil existem registros de
jovens com Síndrome de Down que chegaram e concluíram curso de graduação em
Universidades.
Na terceira idade, todas essas habilidades começam a ser
prejudicadas pela debilidade física, mais acentuada que o normal. Um problema
então é saber onde essas pessoas com Down vão morar e com quem poderão contar
quando as manifestações da idade e outros sintomas ligados à síndrome se acentuarem.
Como as APAES e entidades similares não funcionam como internato, normalmente a
responsabilidade é assumida pelos irmãos
ou parentes mais próximos.
Adultos com Down exigem cuidados especiais. Por exemplo, eles
têm enorme dificuldade em lidar com situações novas. "Qualquer coisa que
saia da rotina pode gerar ansiedade, que pode gerar conflitos", diz Silvia
Longhitano, geneticista da Universidade Federal de São Paulo. A necessidade de
exercícios físicos também é maior, devido à debilidade muscular. A ocorrência
da doença de Alzheimer também se dá de forma precoce. O quadro degenerativo que
leva a rompantes agressivos e perda progressiva de memória se manifesta a
partir dos 40 anos em pessoas com Down, enquanto no restante da população
ocorre após os 60.
No Brasil, há poucos centros especializados no atendimento de
idosos com Down.
"Infelizmente, nada foi feito pelo setor público. Tudo o
que existe para o atendimento de idosos com Down é por iniciativa
privada", diz Jô Clemente, da APAE. Esse é um assunto que os órgãos
públicos não podem continuar a ignorar. Existe grande possibilidade de o número
de pessoas com Down aumentar proporcionalmente em relação ao total da
população, uma vez que as mulheres engravidam cada vez mais tarde. Entre as
gestantes de 30 anos, a probabilidade de nascer uma criança com Down é de uma a
cada 895 nascimentos. Aos 40, o risco sobe para uma a cada 97.
Quem sabe uma sociedade mais sábia tratará seus idosos melhor
do que agora. Devemos lembrar que também chegaremos à velhice e que de alguma
forma passaremos pelo que eles passam. Uma sociedade que despreza seus idosos é
estúpida, pois desperdiça uma sabedoria preciosa.
"Uma vida longa está intimamente ligada à qualidade de
vida que se leva".
*(Pesquisa realizada em sites, artigo da Revista Veja “Down
na Terceira Idade”, de 07/02/07 e Revista Filosofia, Ciência e Religião, número
4, de 2007.)
Lindo o texto! Www.vivendooicp.tumblr.com
ResponderExcluirObrigada Rafael!! Vc sempre será bem vindo ao blog. Abçs
ResponderExcluir