quarta-feira, 16 de maio de 2012


Bom Dia!

Este texto foi compartilhado do site www.flizam.com. O autor do site é FÁBIO LUDWIG, publicitário, pai do Antonio, e escreve todas as segundas-feiras. Vale a pena visitá-lo.
Um abraço a todos!!


Dó ré mi marshmallow

Desde que descobrimos sobre a deleção do Antonio, conversamos pela internet com mães e pais do mundo inteiro que obtiveram um diagnóstico parecido para seus filhos. Foi num destes fóruns que uma amiga contou uma história inspiradora, que aconteceu na sala de aula do filho de um amigo dela. O exemplo é tão efetivo, que achei válido dividir por aqui também.

Quando Joey (um garoto com Síndrome de Down) começou o jardim de infância, sua mãe decidiu ir à escola e compartilhar com as crianças informações sobre seu filho. Ela leu um livro sobre Joey, escrito por ela mesmo, e depois organizou uma série de brincadeiras divertidas e instrutivas com a turma.

Primeiro, ela pediu que cada um colocasse luvas de cozinha nas mãos e depois tentasse fazer recortes e dobraduras com papel. As crianças adoraram, apesar de terem achado muito difícil. E a mãe explicou que era assim que Joey se sentia quando usava as próprias mãos. Em seguida, ela disse para cada um colocar um marsmallow na boca e cantar uma música. Eles caíram na gargalhada e também acharam muito difícil. Então ela explicou que este é o tamanho do esforço de Joey para usar sua boca também. Desde aquele dia, os colegas de Joey são os seus maiores incentivadores. E mesmo com suas limitações, ele é aceito e querido por todos na sala de aula.

A história chega a parecer boba de tão simples. Porém, é prova prática de uma teoria que venho solidificando em minha mente dia após dia: crianças que convivem com crianças com necessidades especiais tornam-se adultos mais tolerantes. É claro que elas precisam ser orientadas e ter suas dúvidas esclarecidas, senão o efeito pode ser o contrário e gerar ainda mais afastamento. Entretanto, não há dúvida de que a exposição às diferenças amplia sua visão de mundo e pode ser determinante para suas relações futuras.

De tempos em tempos circulam na internet textos de pais de crianças com necessidades especiais explicando como eles gostariam que os outros (adultos especialmente) agissem diante de seus filhos. Concordo com a maioria deles. São textos sinceros e corajosos, escritos após muita reflexão. Entretanto, não me sinto confortável com a ideia de sair replicando mandamentos para que eu me sinta menos constrangido ao sair com meu bebê. Prefiro deixar aqui uma dica mais natural (baseada somente em minha experiência pessoal).

Quando perceber uma criança com feições e reações diferentes, não se preocupe em disfarçar. Olhe com olhos de criança, tire suas dúvidas, sacie sua curiosidade. Pais que desejam um futuro melhor para seus filhos terão satisfação em responder. Quando a condição de saúde e as necessidades especiais da criança deixam de ser assuntos velados, fica bem mais fácil para todos agirem naturalmente. Garanto que em pouco tempo seus olhos deixam de dar atenção apenas à síndrome e começam a enxergar também a criança que existe ali, passam a ver um ser humano, com direito à vida, como qualquer outra pessoa.

É exatamente neste momento que o seu preconceito se quebra. E posso dizer, como um pai de uma criança especial, como alguém que vê as pessoas reformulando seus conceitos após conhecerem a história do Antonio: este é um momento muito gratificante de ver.

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