Vamos começar contando um pouco
da minha experiência na ABET – Associação Brasileira de Esclerose Tuberosa, em
Belo Horizonte - MG. Essa Associação tem 12 anos. Foi fundada por pais de uma
criança diagnosticada com Esclerose Tuberosa. No início tinha como principal objetivo orientar sobre a doença, ajudando os pais e
familiares a identificar e entender melhor a ET. Depois de algum tempo começaram
a receber pais com crianças que tinham outras necessidades especiais e a Associação passou também a orientar, acolher e dar apoio a estas crianças e familiares.
Trabalhei na Associação por 6
anos e lá aprendi e convivi com pessoas maravilhosas que fazem de tudo para
orientar, apoiar e melhorar a qualidade
de vida das famílias e crianças carentes que procuram a Associação. Conheci
também mães e pais atuantes que ajudam seus filhos e de outras famílias que ali chegam, muitas vezes desesperadas com o
diagnóstico de seus filhos, e acham o
apoio necessário para melhorar a qualidade de vida dessas crianças. Maiores detalhes sobre a ABET, seu trabalho e
sobre Esclerose Tuberosa é só acessar o site www.abet.org.br/.
Quando conheci F., na época com
20 anos, filha dos fundadores da ABET fiquei emocionada. Já trabalhava com crianças
especiais há 5 anos. O que chamou a
atenção foi seu olhar. Ela não consegue se comunicar pela voz, pois suas cordas
vocais foram afetas pelos tumores característicos da doença, mas seu olhar diz
tudo. Olhos brilhantes, vívidos, que quando fixam os seus consegue passar tudo
que está sentindo. Foi nesse momento que percebi que ali era um lugar em que
poderia realizar meu trabalho e aprender muito, o que realmente aconteceu, até
ter que voltar para o Rio de Janeiro.
Esclerose
tuberosa é uma mutação
genética que pode causar tumores benignos em diversos órgãos, especialmente no
cérebro, olhos, coração, rins, pele e nos pulmões. As
manifestações físicas da esclerose tuberosa são devido à formação de hamartia
(tecido malformado como os tubérculo corticais), hamartomas (crescimentos
benignos como angiofibroma facial e nódulos subependimais) e, muito raramente,
hamartoblastomas cancerosos. O efeito destes leva o cérebro a sintomas neurológicos como ataques
epilépticos, demora no
desenvolvimento e problemas de comportamento. Podemos encontrar dois termos referentes
a esta doença: Esclerose Tuberosa – ET e Esclerose Tuberosa Complexa – ETC.
Estes último termo na literatura científica é utilizado para distinguir a ET da
chamada “Síndrome de Tourrete”.
Em crianças, os
primeiros sinais são frequentemente a presença de ataques epilépticos,
desenvolvimento atrasado e lesões na pele. Um diagnóstico clínico envolve:
- Levantamento do
histórico familiar.
- Examinar a pele
debaixo do abajur de Wood (máculas hipomelanóticas), os dedos do pé (fibroma
ungual), a face (angiofibroma) e a boca (covas
dentais e fibroma gengival).
- Tomografia no crânio ou, preferivelmente, ressonância magnética (tubérculo
cortical e nódulos de subependimal).
- Ultrasom renal (angiomiolipoma ou cistos).
- Um ecocardiograma em crianças (rabdomioma)
- Fundoscopia (hamartomas
nodular retinal).
Os vários sinais são
então marcados contra os critérios do diagnóstico para produzir um nível de
certeza nele:
- Definido–Duas características
principais ou uma característica principal mais duas características
secundárias.
- Provável–Uma vantagem
principal e uma característica secundária.
- Suspeito– Ou uma
característica principal ou duas ou mais características secundárias. Ou ambas.
Devido à variedade
larga de mutações que conduzem a TSC, não há nenhum teste genético simples
disponível para identificar casos novos. Nem existe qualquer marcador
bioquímico para os defeitos do gene. Porém, uma vez que uma
pessoa foi diagnosticada clinicamente, a mutação genética pode normalmente ser
achada. Estas informações podem ser usadas para identificar familiares afetados,
incluindo diagnose pré-natal.
Diante do diagnóstico
da Esclerose Tuberosa o mais importante é ter esperança, atitude positiva e
empenho para procurar o mais rapidamente possível ajuda profissional para
trabalhar as capacidades, limitações e os talentos que a criança possa
desenvolver.
“Lembre-se sempre o
quanto cada filho é importante, especial e único na vida de uma família, e
jamais perca as esperanças. No final, você acabará descobrindo que a vida de
cada criança é um presente inigualável, seja como for. O que conta no final é o
amor que damos e recebemos nessa vida.” (da cartilha de orientação para os pais
da ABET).

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